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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Sobre a felicidade e a contra gosto, sobre pais e filhos

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Estava pensando sobre felicidade, sobre os vários e diversos motivos que nos fazem felizes, e sobre a diversidade deles de pessoa para pessoa, cada ser tem seu motivo de felicidade, cada um de nós se sente feliz por um ou outro motivo e isso não implica que devemos ser felizes pelos mesmos motivos, não há felicidade homogênea, e para a maioria das pessoas é complexo compreender isso, muitas vezes é no motivo de felicidade do outro que mora a tristeza de outro alguém.
Entendo como perversidade querer que a felicidade de alguém seja a nossa felicidade, é invasor querer interferir na felicidade de alguém, sei que vou me enfiar em um vespeiro ao citá-los como exemplo, mas os pais são figuras que não raramente assumem esse papel de ditadores da “felicidade”, como exemplo cito os não raros os casos de filhos adolescentes que convivem com tribos diferentes e um tanto exóticas como os “roqueiros”, esses filhos são felizes enquanto estão rodeados de amigos parecidos com eles, que compartilham de gostos e motivos semelhantes para serem felizes, mas ao chegar em casa esses filhos se sentem infelizes pois não tem a felicidade de ser diferente respeitada pelos seus pais, esse é um exemplo bem simples e que seria menos censurado nesse texto se comparado a outras escolhas que fazem os filhos felizes e provocam a infelicidade dos pais. Mesmo usando os pais como exemplo não são só eles que costumam ditar a felicidade, eu ou você um dia também poderemos fazer isso (se já não fizemos) e para cometer essa perversidade não precisaremos ser pais, podemos fazer isso com nossos amigos irmãos e qualquer outra pessoa que amamos. Chega a ser contraditório dizer amar alguém e interferir na sua felicidade preferindo a sua tristeza, é mais assim somos nós seres humanos racionais e incoerentes.
Voltando ao vespeiro, talvez um pai esteja lendo esse texto e se defenda dizendo: mas eu é que sei o que é melhor ou pior para a vida do meu filho, bem, isso não é verdade, é uma ilusão criada a partir da noção de que uma vez na condição de pai que “deu” a vida ao filho você acredite ser dono dos caminhos escolhidos por seu filho durante a vida, você pode ensiná-lo a caminhar, mas é o seu filho que se tornou ou está a se tornando adulto dono de seus próprios passos, que escolhe o caminho por onde andar, afinal a felicidade é um busca individual e compete a cada ser descobrir onde mora a sua felicidade, aos pais só resta respeitar a escolha que faz seu filho feliz. Defendo que essa escolha não pode ser uma escolha doída, pois se dói não é felicidade, o processo pra alcançar a felicidade pode ser doído, mas a felicidade em si não, e só um pai sabe e sente a dor de um filho, se a felicidade de quem você ama fere a ele mesmo aí existe motivo pra interferir, aconselhar e estender a mão, no entanto se a escolha for apenas diferente do que você idealizou, mas faz feliz aquela pessoa a quem você ama então não a porque para a tristeza, pois não há motivo mais generoso de felicidade do que ver quem você ama feliz também.  

PS: Queria falar pura e simplesmente sobre a felicidade, mas as palavras queriam falar sobre pais e filhos e assim foi feito. Como disse Rubem Alves: “Quando começo a escrever deixo de ser dono de mim mesmo. Fico à mercê de ideias que nunca pensei. Elas aparecem sem que eu as tenha chamado e me dizem: “Escreva!“ Não tenho outra alternativa. Obedeço.” 

Phael Marques

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